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  • Juliana Dias

Vamos escrever 20 minutos sem parar?

A brincadeira é a seguinte:

1- Ler o texto da Clarice Lispector "Menino a bico de pena" (facilmente encontrado na internet);

2- Trazer a imagem da memória mais antiga da infância e escrever 20 minutos sem parar com a inspiração da leitura do texto da Clarice;

3- Compartilhe conosco pelo email (autoriacriativa@gmail.com).


A nossa poetisa Kelma Nascimento escreveu o seguinte texto para compor nossa inspiração!



Como escrever sem interromper a menina? É agora. Em 20 minutos sem parar. Volte no tempo, volte que dá. Olhe e veja. Como entender jamais a menina? Escreva. Eis um estado de contemplação. A menina povoava um mundo já habitado, chegara novidade no universo masculino desgastado. Chegara em prontidão. Havia crianças meninos ao seu redor, havia adultos para si, sem tempo, vida corrida, passagem do tempo, vida acontecida sem dó. No mundo gigante, universo de estrelas se faziam brilhantes entremeando a manhã em forma surpresa de poesia. A menina via. Pernas que andam na primavera, doce espera como estações de cor, todas elas em movimento turbilhão. Vida acontecendo lá fora, vida florescendo lá dentro da menina em imensidão. Que mundo é esse? Pensava sem parar, desejava correr, queria andar, sonhos povoando a mente, realidade vindoura, como uma viagem num balão, correndo um céu de estrelas nesse tempo sem horas marcadas, sem datas, só canção. Voltaria para casa, dominaria o lar, o quintal e o que mais viesse a ser lugar. Destruiria as armas que furam os braços indefesos das crianças e calaria o sorriso dos que insistiam em dizer: não dói, não chore não. Lágrimas. A menina e seus projetos. Enxergava o mundo cada vez mais perto, sentia-se ganhando força. Outra menina, outras mais, um mundo povoado de meninas em paz. Não gostava do cotidiano alimentar. Por que não fazem doces como a nuvem de algodão? Era na areia que rolava os seus sonhos todos os dias. Menina, saia do chão! Por que tantos “nãos”? Aprendeu a pronunciar, ‘não’ pra tudo. A menina estava pronta para um novo patamar, seria igual a todos, “já posso parar de rastejar”. Ensaiando os primeiros passos, foi ao chão por várias vezes, sob aplausos e risos uma plateia assistia ao seu progresso. Dias de queda e superação. Correria atrás do gato, na rua, no quintal. Mais dois minutos e ela conseguiria essa façanha. Tente mais uma vez, você pode. Venha! Olhem, ela está conseguindo. Tomaram-me as mãos e disseram-me: vá. Fui. Um minutinho para terminar o “show”. A menina andando aprendeu caminhar.






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